Brincadeira é coisa séria!

Por Anita Adas (*)

 

Ainda há muitos adultos que acreditam que brincar é um ato sem significado, uma simples ação para passar o tempo, uma atividade fútil e improdutiva. Grande equívoco! Trata-se de uma experiência rica e complexa. Há algumas décadas, o brincar vem sendo valorizado como ação essencial para a formação de sujeitos culturais e sociais ativos e reflexivos. A brincadeira, como atividade típica da vida humana, proporciona alegria, liberdade, contentamento e, sobretudo, aprendizado, uma vez que o lúdico em ação é permeado de sentido e significações.

Brincar é um direito! Direito já garantido no final da década de 1950, na Declaração Universal dos Direitos das Crianças, documento elaborado pela UNICEF/ONU, no princípio VII - Direito à educação gratuita e ao lazer infantil: (...) A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras, os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito.

A brincadeira é meio de comunicação, de elaboração, de compreensão, de prazer e de recreação. Ao brincar, as crianças desenvolvem capacidades importantes para o seu desenvolvimento cognitivo, cultural, emocional e social como, por exemplo, a atenção, a memorização, a imaginação, a imitação, a criatividade e a capacidade de resolver conflitos e, consequentemente, de se apropriar de habilidades e competências para vivenciar uma fase adulta feliz e reflexiva.

Entende-se que, pelo brincar, a criança aprende a expressar ideias, gestos e emoções, a tomar decisões, a interagir, a viver entre pares, a conhecer, a conhecer-se, a integrar-se ao seu ambiente próximo, a elaborar imagens ou representações culturais e sociais de seu tempo, a desenvolver-se como ser humano dotado de competências simbólicas.

É por meio do brincar que a criança constrói e reconstrói a sua compreensão de mundo e, assim, se desenvolve como pessoa. Quando brinca, ela transfere suas ações simbólicas para o mundo real e as transforma em ações reais. Reflete sobre o seu cotidiano e experimenta novas situações — momento em que recria e interpreta o mundo em que vive e com o qual se relaciona e aprende. Mesmo sem ter a intenção de aprender, ela aprende. A criança transita entre aquilo que é subjetivo, imaginário e o aquilo que é objetivo, real, movimento essencial para a construção e a elaboração da vida cotidiana e das relações que nela se estabelecem, bem como para a superação de conflitos, o que certamente contribui para a construção da sua identidade e da sua autonomia.

Uma característica muito interessante das brincadeiras é a possibilidade de exercitar a vida na coletividade, uma vez que toda brincadeira apresenta, implícita ou explicitamente, normas que as norteiam. Brincar com os colegas significa compartilhar com eles a vida em sociedade e, assim, construir coletivamente um conjunto de valores que orientam as relações interpessoais no grupo.

Diante disso, acredita-se que o brincar, como promotor do desenvolvimento de capacidades e potencialidades, deve ocupar lugar especial na prática educativa, seja no ambiente familiar ou no escolar. A criança aprende a brincar e aprimora sua ação com base nas relações que estabelece com os adultos que cuidam dela, que a educam. Assim, o adulto, como mediador entre a criança e os conteúdos mundanos, deve proporcionar-lhe experiências diversificadas, em que o brincar possa ocorrer, seja de modo livre ou orientado.

A brincadeira livre acontece de forma espontânea, quando a criança, por si só ou em pequenos grupos, decide a brincadeira sem a mediação do adulto — momentos preciosos para os processos de elaboração interna. Já as brincadeiras orientadas ou coordenadas são planejadas e intencionais, pois possuem objetivo específico a ser atingido, mediadas por um adulto; proporcionam a socialização do grupo, a integração e a participação das pessoas envolvidas, favorecendo atitudes de respeito, aceitação, confiança, solidariedade, além do conhecimento mais amplo da realidade social e cultural.

Vale relembrar: brincar é um direito da criança! É fundamental que o mundo adulto – que um dia já foi criança – leve em consideração toda a riqueza da cultura lúdica infantil se, de fato, almeja o comprometimento e a responsabilidade social dos seus pequenos.

Os materiais do Agora Sistema de Ensino, o novo sistema de ensino da Editora Saraiva, destinado às escolas públicas, respeitam o direito de brincar da criança ao propor atividades lúdicas como situações de aprendizagem. Com conteúdos significativos e múltiplas linguagens, o material busca contribuir com o educador apresentando-se como uma ferramenta de apoio aos fazeres didáticos para a escola da atualidade.

 

(*) Pedagoga, Mestre em Educação Escolar, Gestora e professora de escolas de Educação infantil, professora universitária, coordenadora pedagógica e editorial de materiais didáticos e palestrante.

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